Inteligência Artificial na educação: ameaça ou oportunidade?
VII Congresso Internacional “Um Novo Tempo na Educação” discute os impactos do ChatGPT nas escolas, os limites éticos da IA e os caminhos para preservar a humanização da aprendizagem, entre os dias 10 e 12 de junho, em Curitiba/PR
A rápida popularização de ferramentas de inteligência artificial, como o ChatGPT, abriu um novo capítulo dentro das salas de aula brasileiras e também uma série de dúvidas que vêm mobilizando professores, gestores, famílias e especialistas em educação. Afinal, a IA pode ampliar a aprendizagem ou corre o risco de substituir processos essenciais da formação humana? Como professores podem usar inteligência artificial sem perder vínculo, escuta e pensamento crítico? E mais: estudantes estão aprendendo ou apenas terceirizando o raciocínio para as máquinas?
Essas questões estarão no centro das discussões do VII Congresso Internacional “Um Novo Tempo na Educação”, promovido pelo Instituto Casagrande entre os dias 10 e 12 de junho, em Curitiba/PR. O encontro reunirá educadores, pesquisadores, secretários municipais, prefeitos, gestores públicos e especialistas de diversas regiões do país para discutir os impactos da inteligência artificial na aprendizagem, os desafios éticos da tecnologia e o futuro da educação em uma sociedade cada vez mais digitalizada.
O tema chega ao congresso em um momento de profunda transformação no ambiente escolar. Nos últimos dois anos, ferramentas de IA generativa passaram a integrar o cotidiano de professores e estudantes em atividades como produção de textos, planejamento de aulas, pesquisas e avaliações. Ao mesmo tempo, cresce a preocupação sobre dependência tecnológica, superficialidade da aprendizagem, desinformação, plágio e perda da capacidade crítica.
Uma pesquisa realizada pelo Instituto Casagrande com mais de 9 mil educadores brasileiros apontou que 73% dos professores acreditam que a inteligência artificial terá alto impacto na educação nos próximos anos.
Para Ronaldo Casagrande, vice-presidente do Instituto Casagrande e pesquisador do tema, o maior desafio da escola, hoje, é compreender como a IA ela pode ser utilizada de maneira ética, pedagógica e humanizada.
“A inteligência artificial já faz parte da vida dos estudantes e negar essa realidade seria um erro. O verdadeiro desafio é ensinar crianças e jovens a utilizarem essas ferramentas de forma crítica, consciente e responsável, sem perder autonomia intelectual e capacidade de reflexão”, afirma.
Ronaldo Casagrande acompanha o avanço da IA na educação há anos e se tornou uma das vozes brasileiras no debate sobre os impactos da tecnologia no processo de aprendizagem. Em 2023, lançou o livro “Navegando por águas inexploradas: orientando educadores para a revolução da inteligência artificial”, produzido inclusive com apoio do próprio ChatGPT.
Segundo ele, o debate sobre IA vai muito além da tecnologia em si e atinge diretamente o papel da escola e do professor na formação humana.
“Existe uma preocupação crescente sobre estudantes que utilizam inteligência artificial para produzir trabalhos sem desenvolver compreensão real do conteúdo. Isso exige uma mudança urgente no processo de ensino e aprendizagem. O professor deve deixar de ser apenas o detentor do conhecimento e passar a ser mediador do pensamento crítico, da criatividade e da construção de sentido”, destaca.
A programação do congresso abordará justamente os limites éticos da inteligência artificial, o impacto das plataformas generativas na alfabetização e os desafios da aprendizagem diante do ChatGPT. Entre os temas em debate estarão:
- o uso pedagógico da IA;
- o excesso de automatização;
- os impactos da tecnologia sobre atenção e concentração;
- a formação de professores para o novo cenário digital;
- a necessidade de preservar vínculos humanos no ambiente escolar;
- e o uso responsável da IA por crianças e adolescentes.
Especialistas presentes também discutirão os riscos da chamada “aprendizagem superficial”, fenômeno que preocupa educadores em diferentes países. Estudos recentes apontam que, embora ferramentas de IA possam aumentar produtividade e personalizar experiências educacionais, elas também podem reduzir esforço cognitivo, autonomia intelectual e aprofundamento crítico quando utilizadas sem mediação pedagógica adequada.
A discussão ganhou força especialmente após o crescimento do uso de IA por estudantes na produção de trabalhos escolares e universitários. Em muitos casos, professores relatam dificuldades para avaliar autoria, desenvolvimento do raciocínio e participação efetiva do aluno no processo de aprendizagem.
Para Ronaldo Casagrande, a resposta para esse cenário não está na proibição pura e simples da tecnologia. “A escola não pode competir com a inteligência artificial apenas tentando controlar seu uso. O caminho é fortalecer aquilo que nenhuma máquina consegue substituir plenamente: empatia, criatividade, pensamento crítico, convivência, repertório humano e capacidade de interpretar o mundo com profundidade”, afirma.
O congresso também discutirá como a IA pode auxiliar positivamente o trabalho docente. Pesquisas recentes mostram que professores já utilizam ferramentas inteligentes para planejamento pedagógico, produção de materiais didáticos, personalização de atividades e apoio à gestão escolar.
“Quando utilizada com propósito pedagógico, a inteligência artificial pode reduzir tarefas operacionais e permitir que o professor tenha mais tempo para aquilo que realmente importa: acompanhar o estudante, estimular reflexão e construir relações humanas significativas dentro da escola”, destaca Ronaldo.
Além dos debates sobre tecnologia, o VII Congresso Internacional “Um Novo Tempo na Educação” contará com painéis sobre aprendizagem, neuroeducação, inclusão, saúde emocional, alfabetização, avaliação e gestão pública. Entre os convidados estão o ex-ministro da Educação Cristovam Buarque e o escritor Fabrício Carpinejar, que abordará temas ligados à escuta, comportamento e relações humanas.
O evento também aposta em experiências imersivas que ampliam o conceito tradicional de aprendizagem, como a “Travessia de Sentidos”, atividade que utiliza cultura, território e contemplação como ferramentas pedagógicas em uma experiência de trem entre Curitiba e Morretes.
Para os organizadores, o congresso acontece em um momento decisivo para o futuro da educação brasileira, em que o país precisará equilibrar inovação tecnológica e desenvolvimento humano. “A inteligência artificial pode transformar profundamente a educação, mas precisamos decidir que tipo de sociedade queremos construir com ela. A tecnologia deve servir à aprendizagem, ao desenvolvimento humano e à formação ética, nunca substituir aquilo que nos torna humanos”, conclui Ronaldo Casagrande.
Serviço
VII Congresso Internacional de Educação – Novo Tempo
Data: 10, 11 e 12 de junho
Local: Shopping Novo Batel –Rua Coronel Dulcídio, 517 – Batel – Curitiba/PR
Mais informações e programação completa podem ser acessadas em: www.congressonovotempo.com.br.
Sobre o Instituto Casagrande
O Instituto Casagrande é uma instituição brasileira dedicada à formação continuada de educadores, ao desenvolvimento de lideranças educacionais e à construção de soluções para redes públicas e privadas de ensino. Com quase duas décadas de atuação, reúne uma das maiores comunidades de educadores do Brasil, com mais de 1 milhão de profissionais impactados por formações, eventos, cursos e programas. Sua atuação integra conhecimento técnico, produção autoral, presença digital, eventos de grande alcance e projetos customizados para diferentes realidades educacionais





