Entidades empresariais alertam para impactos sobre micro e pequenas empresas e ressaltam que mudanças sejam discutidas por negociação coletiva, com transição gradual e atualização dos limites do Simples Nacional
A discussão sobre o fim da escala 6×1 voltou ao centro do debate nacional e já mobiliza representantes do comércio e dos serviços em Brasília. Para o Sincomercio Araraquara, o tema precisa ser tratado com cautela para evitar impactos desproporcionais, principalmente sobre micro e pequenas empresas, responsáveis pela maior parte dos empregos gerados no país.
Na avaliação da entidade, eventuais mudanças precisam considerar as particularidades de cada segmento econômico e ser conduzidas por meio de negociação coletiva, respeitando a realidade operacional tanto das empresas quanto dos trabalhadores.
Segundo o presidente do Sincomercio Araraquara, Antonio Deliza, setores que dependem de atendimento contínuo e horários estendidos, como supermercados, farmácias, alimentação e prestação de serviços, tendem a sentir os impactos de forma mais intensa.
“Nós entendemos que é possível discutir modelos mais flexíveis de organização do trabalho e funcionamento do comércio. O que não defendemos é uma mudança generalizada de jornada por lei, porque cada segmento possui uma dinâmica diferente. Esse tipo de discussão precisa continuar acontecendo por meio da negociação coletiva”, afirma.
Dados apresentados pela FecomercioSP apontam que a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas pode elevar significativamente os custos da folha de pagamento no país. A entidade estima um aumento de cerca de 22% no custo da hora trabalhada, cenário que tende a impactar com maior intensidade micro, pequenas e médias empresas.
Para Deliza, a preocupação aumenta especialmente entre os pequenos negócios, que já operam com margens reduzidas e pouca capacidade para absorver aumentos bruscos nos custos operacionais e trabalhistas.
“Existe ainda uma preocupação com os impactos sobre contratos terceirizados e aqueles vinculados à administração pública. Muitas empresas que prestam serviços para municípios trabalham com equipes operacionais e escalas específicas. Uma mudança abrupta, sem transição e sem discussão setorial, pode gerar desequilíbrios operacionais e aumento de custos”, completa.
O presidente do Sincomercio Araraquara também defende que a discussão nacional avance paralelamente em pautas estruturantes voltadas à sustentabilidade dos pequenos negócios, como a atualização dos limites do Simples Nacional, considerados defasados há mais de uma década.
A FecomercioSP também enfatiza que eventuais alterações relacionadas à jornada sejam acompanhadas de mecanismos de transição gradual e maior flexibilidade para negociações entre empresas e trabalhadores.
No próximo dia 12 de maio, Antonio Deliza estará em Brasília representando o setor comercial de Araraquara e região em discussões no Congresso Nacional sobre os impactos das propostas relacionadas ao fim da escala 6×1 para o comércio, os serviços e os pequenos negócios.
Hugo Motta sinaliza diálogo com setor empresarial sobre redução da jornada e ouve demandas da FecomercioSP
O debate sobre a redução da jornada de trabalho também ganhou novos desdobramentos em Brasília nesta semana. Em reunião realizada na última terça-feira (5), o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, recebeu empresários e representantes de sindicatos patronais filiados à FecomercioSP para discutir os impactos da proposta.
Durante o encontro, Motta afirmou que pretende incluir, nas discussões sobre o fim da jornada 6×1, as chamadas “pautas estruturantes” relacionadas ao tema. “Considero justa a reivindicação pela redução da jornada de trabalho, assim como acho justo ouvir quem emprega”, declarou. O saldo da conversa foi positivo, segundo os empresários.






