Curadoria da escritora e biblioterapeuta Clara Haddad reúne obras publicadas no Brasil que retratam mães reais, com afeto, imperfeição e diferentes formas de cuidado
No mês em que se celebra o Dia das Mães, uma curadoria de livros infantis propõe uma mudança de perspectiva: deixar de lado a imagem idealizada da maternidade e aproximar a leitura das experiências reais de cuidado, vínculo e emoções do cotidiano.
A seleção reúne oito obras publicadas no Brasil que apresentam mães em múltiplas dimensões — afetivas, cansadas, presentes, ausentes, protetoras ou em constante aprendizado. A curadoria é assinada pela escritora, narradora e biblioterapeuta luso-brasileira Clara Haddad, que destaca a potência do livro infantil como espaço de escuta e elaboração emocional.
Segundo Clara Haddad, “a literatura infantil tem hoje a força de mostrar a maternidade como uma relação viva — feita de afeto, imperfeição e transformação”.
Entre os destaques está Meu Pequenino, de Germano Zullo e Albertine, que acompanha o crescimento de um menino e o envelhecimento da mãe, abordando com delicadeza o ciclo da vida.
Em Mamãe Zangada, de Jutta Bauer, uma situação corriqueira — a bronca materna — se transforma em uma metáfora sensível sobre vínculos familiares. Ao ser repreendido, o pequeno pinguim se fragmenta, até que o afeto possibilita sua recomposição.
Já Aqui e Aqui, de Caio Zero, retrata a rotina de crianças cujas mães saem cedo para trabalhar, evidenciando redes de apoio e novas dinâmicas familiares.
Mamãe tem medo, ilustrado por Alireza Goldouzian e publicado pela Pulo do Gato, aborda o medo materno e o desafio de equilibrar proteção e autonomia.
Com humor, Quando Mamãe Virou um Monstro, da Brinque-Book, explora o cansaço e humaniza a figura materna no cotidiano.
Em A Melhor Mãe do Mundo, com ilustrações de Veridiana Scarpelli, a maternidade é vista pelo olhar da criança, revelando uma mãe fora dos padrões, mas profundamente afetiva.
Já A Mamãe do Pintinho, de Heena Baek, apresenta a história de uma gata que aprende a cuidar de um pintinho, refletindo sobre pertencimento e os vínculos que vão além dos laços biológicos.
Encerrando a seleção, Se as Coisas Fossem Mães, de Sylvia Orthof, clássico da literatura infantil brasileira, propõe uma visão poética e ampliada da maternidade.
Mais do que uma homenagem ao Dia das Mães, a curadoria convida a refletir sobre como a maternidade vem sendo representada na literatura infantil contemporânea: menos idealizada e mais complexa.
As obras exploram temas como cuidado, ausência, erro, afeto e construção de vínculos, promovendo leituras compartilhadas baseadas no diálogo e na escuta. Ao apresentar mães reais, com virtudes e fragilidades, os livros reforçam o papel da literatura como ferramenta de elaboração emocional.






