Levantamento analisa a saúde financeira das agremiações frente às normas da CBF; Flamengo, Palmeiras e Athletico-PR lideram conformidade
Desde 1º de janeiro de 2026, os clubes das Séries A e B do futebol brasileiro devem enfrentam seu maior desafio fora das quatro linhas: a implementação plena do SSF – Sistema de Sustentabilidade Financeira (Fair Play Financeiro), conforme divulgado no Summit CBF Academy. A medida passa a exigir que os clubes e as SAFs equilibrem suas contas de forma rigorosa, limitando os gastos com folhas salariais a um percentual da receita bruta anual, entre outras medidas.
O objetivo é garantir a sustentabilidade do esporte no Brasil, forçando tanto os clubes associativos quanto as SAFs a operarem com responsabilidade orçamentária. O controle será realizado por meio da Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF), órgão autônomo criado dentro da CBF exclusivamente para monitorar, analisar e julgar os requisitos financeiros dos clubes – monitorando salários, direitos de imagem, pagamentos a clubes e tributos, que devem estar rigorosamente em dia para evitar sanções, conforme determina um de seus pilares (solvência).
O trabalho tende a ser grande. De acordo com um estudo realizado pela BDO com base nos últimos balanços divulgados pelos clubes da série A em 2024, poucos clubes atenderiam os três pilares de: sustentabilidade, controle de custos e endividamento de curto prazo como: Flamengo e Grêmio, outros como Palmeiras, Red Bull, Mirassol, CAP atenderiam dois pilares. 40% dos clubes não atenderiam a sustentabilidade, 35% estariam com o custo do elenco acima de 70% das suas receitas e 70% estariam com as dívidas de curto prazo acima da receita.
“Não se trata apenas de uma adequação financeira, mas cultural. Vemos que, mesmo nas SAFs, a pressão por resultados e a paixão dos dirigentes deixa a saúde financeira em segundo plano”, explica Carlos Aragaki, sócio líder da área Esporte Total da BDO e responsável pelo estudo. “À primeira vista, as regras brasileiras podem não parecer tão rígidas como as de outros países, mas elas foram elaboradas para serem endurecidas ao longo do tempo, permitindo assim que essa mudança de cultura também aconteça”, complementa.
O descumprimento pode resultar em punições severas, que vão desde advertência pública, proibição de registrar novos atletas (transfer ban), até a exclusão de competições, tornando a gestão financeira tão relevante quanto o desempenho técnico em campo.
“É importante ressaltar que as regras de solvência já causarão punições automáticas a partir de janeiro de 2026. O monitoramento não será fácil pois dependerá de declarações formais dos clubes, embora sua omissão seja considerada falta grave.”, finaliza Aragaki.
Obs.: O estudo apresenta limitações que de forma geral não afetam a visão de desafio gigante para os clubes mas impactam no cálculo exato do SSF:
- Os balanços e notas explicativas não trazem um aging list de fornecedores para identificação dos vencidos a mais de 90 dias impactando no valor exato do endividamento.
- Clubes como o Mirassol apresentaram balanço reduzido em sua divulgação impactando a análise das dívidas de curto prazo e o Red Bull não apresenta notas explicativas.
- Até 31 de dezembro de 2024 nenhuma SAF pagou dividendos.
- Alguns clubes não segregam todas as despesas e receitas na DRE, bem como não abrem em nota explicativa, dessa forma embora algumas receitas como premiações apareçam sem saldo, podem estar agrupadas com outras, assim como, por exemplo, as despesas com amortização e PDD, entre outras.
- O Vitória unificou as receitas de premiações de competições e sócio torcedor, não sendo possível segregar nas colunas.
- Os clubes, em sua maioria, não divulgam nota explicativa detalhando e segregando as despesas com base e futebol feminino individualmente para fins de exclusão das despesas operacionais.
É importante destacar que não obstante as divulgações das demonstrações financeiras em atendimento à Lei Pelé, os clubes devem informar para a CBF todos os detalhes que não são perceptíveis em suas divulgações para a avaliação.
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